Produtores investem na versatilidade da Macaúba

17/07/2017 - 10:55

Fonte de matéria-prima para alimentos, fármacos, cosméticos e até biocombustível, uma palmeira rústica está ganhando espaço nas plantações em Minas Gerais e tem se mostrado com um enorme potencial para desenvolvimento no agronegócio. A Macaúba, segundo especialistas, tem tudo para ser o “ouro verde” brasileiro e os mineiros estão saindo na frente nos estudos e projetos com a planta. O principal produto extraído é o óleo que substitui o azeite de dendê, usado em cerca de 60% dos produtos vendidos nos supermercados, mas há ainda a questão ambiental. As plantações podem conviver com o gado e ajudam na conservação do solo.

Minas Gerais começa a ter programas de cultivo da Macaúba. Capitaneados pela Prefeitura de Juiz de Fora, pelo menos 38 municípios da Zona da Mata, Sul e Vertentes já manifestaram interesse em aderir ao plantio. “A gente tem percebido o agronegócio, neste momento de crise no país, como o único segmento que tem dado resultado, segurando números expressivos. Assim sendo, temos esse projeto pare recuperar nascentes com reflorestamento e vislumbrando a possibilidade de aumentar as rendas dos produtores locais com grandes negócios”, afirmou o secretário de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Turismo de Juiz de Fora, João de Matos.

A Zona da Mata tem hoje 400 hectares de Macaúba plantados em uma propriedade em Lima Duarte, mas a expectativa é ampliar. Por isso, estão sendo oferecidos cursos para mostrar o potencial da planta e a Prefeitura de Juiz de Fora está mostrando aos agricultores as possibilidades de consórcios. O objetivo é ambiental: além de desenvolver o agronegócio, estudos mostram que seria possível recuperar as fontes de água do município. Segundo João de Matos, não há projeções do quanto esse cultivo pode ser ampliado, mas só Juiz de Fora tem mil quilômetros de área rural. “Logicamente não vamos conseguir 100%, mas o importante é como o entorno da Zona da Mata é carente de projetos, entendemos que esse plano vai ajudar economicamente”.

O coordenador do projeto Macaúba, Jackson Moreira, diz que a produção é potencializada pelo fato de a planta ser nativa, de alta produtividade e competitiva em topografias acidentadas. Ele ressalta que há ainda interesse de companhias aéreas de usar o produto da planta como biocombustível, dentro de um projeto para reduzir a emissão de gás carbono.

Quem confirma todo este potencial é o coordenador da Rede Macaúba de Pesquisa (Rmape) da Universidade Federal de Viçosa, Sérgio Motoike. De acordo com ele, a Macaúba despontou no programa de domesticação de espécies nativas com potencial para produção de óleo. “É uma planta que pode substituir no futuro o azeite de dendê, que corresponde a 40% de toda a gordura vegetal que o homem utiliza. Ele está na margarina, no chocolate, no sorvete, até na vela. Se você for no supermercado, 60% dos produtos tem óleo de dendê, então, hà uma importância muito grande para o ser humano”, diz.

A diferença, segundo Motoike, é que a macaúba cresce em um ambiente muito menor e precisa da metade da chuva necessária ao dendê para produzir. “O potencial de Minas é enorme, porque tem muita área degradada e é nesta área que a macaúba pode ser cultivada”, disse. Sérgio Motoike trabalha para que as plantações sejam integradas às pastagens, de modo a produzir frutos na parte de cima e permitir que o gado continue ali. “Não vamos destruir a pecuária, mas melhorar o solo com o cultivo da macaúba e incrementar a atividade com uma produção extra, que seria o fruto da macaúba.”

Para se ter uma ideia, segundo Motoike, são produzidas de quatro a seis toneladas de óleo por hectare. Comercializado a US$ 800 a tonelada, o produtor tem, só de óleo de macaúba, uma renda de pelo menos US$ 3,2 mil por hectare ao ano. E a macaúba ainda tem outros produtos, como ração animal e carvão. Na indústria farmacêutica, pode servir para extrair vitaminas D e A, na de cosméticos pode ser base para shampoos, cremes e batons.

Empresa projeta salto de 520 para 5 mil hectares até 2010

Em João Pinheiro, região Noroeste de Minas Gerais, a empresa Soleá, que enxergou na macaúba seu caminho de investimento seguro, já plantou 520 hectares e pretende expandir em mais 150 hectares a plantação até o fim de 2017. Mas o projeto para a Macaúba é ainda mais ousado. Eles têm uma propriedade de 2,6 mil hectares e, pensando no potencial de venda, projetam chegar a ter 5 mil hectares de macaúba até 2020. Para dar mais solidez ao projeto, a empresa comprou a Acrotech em 2012 para ter acesso à tecnologia e desenvolver conhecimento agrícola que garantam sucesso ao empreendimento.

A escolha pela macaúba, segundo o CEO da Soleá/Acrotec Felipe Morbi, foi feita depois de um estudo comparativo com outras culturas que constatou que a plantação tem menos gastos para desenvolvimento e um potencial muito maior de produção. “O manejo é muito simples. Ao contrário de culturas anuais, como soja e milho, você faz a implantação no primeiro ano e depois tem somente de duas a três adubações por ano e controle de ervas. O valor médio gerado pela macaúba é de R$ 250 por tonelada. Estamos falando de algo em torno de R$ 9 mil de receita bruta por hectare enquanto o custo de produção gira em torno de R$ 3,5 mil a R$ 4 mil por hectare”, conta.

Segundo o CEO, a colheita dura seis meses, de outubro a março, e o grande diferencial é que a macaúba pode ser cultivada em áreas mais desvalorizadas. Há ainda a questão ambiental, já que não é preciso desmatar para ampliar a produção. Quanto à produtividade, a conta é que para cada hectare de macaúba são necessários 14 hectares de soja. “Além disso, a macaúba gera muito emprego regional. A demanda é de um emprego para cada 10 hectares, isso sem contar nos empregos indiretos que são criados”, diz Felipe Morbi.

As grandes companhias descobriram que a macaúba é uma solução em termos de fornecimento de óleos de palma, que em grande parte eram importados da Malásia. O maior gargalo da cadeia produtiva, porém, segundo o empresário, é que ainda existem poucos plantios comerciais. Por isso, há uma demanda reprimida pela criação de indústrias processadoras. “O mercado está muito interessado na macaúba pela qualidade dos seus óleos e farelos e pela versatilidade dos seus produtos que acabam estimulando outras cadeias regionais. É um ganho exponencial. Antes tínhamos que convencer que a macaúba era uma oportunidade ao país, hoje as pessoas vêm até nós, a macaúba já está acontecendo”, comemora.

O projeto da Soleá começou em 2009 e o plantio foi iniciado em 2015. São 460 plantas por hectare e, em um cenário conservador, uma média de 36 toneladas de fruto por hectare. Com o crescimento do potencial da macaúba, a ideia é estimular outros produtores. “Vimos que outros projetos que começaram já com os produtores não funcionaram, então quisemos construir uma empresa âncora para mostrar aos produtores que a macaúba é um investimento certo”, disse.

Por Estado de Minas

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